Destruction - Via Marquês, São Paulo - 03/02/2012

Por Leandro Cherutti

Enquanto a Big Four do Thrash Metal alemão não passa de um mero sonho, temos que nos contentar em ver nomes como Kreator, Destruction, Sodom e Tankard de forma separada e é isto que vem acontecendo neste inicio de ano na cidade de São Paulo. Dois nomes que incluem este quarteto passaram pela capital recentemente e promoveram uma verdadeira aula de Thrash Metal. O primeiro a se apresentar foi o Tankard, que no último dia 24 de janeiro realizou uma apresentação avassaladora na casa de shows Hangar 110. O Destruction veio logo em seguida e aportou na capital dia 3 de fevereiro, tocando ao lado das bandas Genocídio e Nervosa. Este show é parte integrante da turnê Spiritual Genocide: 30 Years Of Total Destruction, que além de comemorar os 30 anos do grupo, promove o mais recente álbum Spiritual Genocide.

O clima enfrente ao Via Marquês estava tranqüilo, com pessoas revendo velhos amigos, algumas fazendo novas amizades, outros tomando aquela cerveja antes de entrar, tudo aparentemente muito amigável, mas sempre tem aquele engraçadinho que passa dos limites, que quer se aparecer, mostrar que bebe muito e que é o cara do role, e foi isto que aconteceu, um rapaz visivelmente bêbado se envolveu em uma pequena confusão com os seguranças da casa, a polícia militar foi acionada e o que aparentemente estava pacifico, ficou um pouco conturbado, mas nada de mais grave ocorreu e logo o clima voltou ao normal.

Já dentro do recinto o clima era outro, o público estava procurando o melhor lugar para  assistir o espetáculo, o que não foi difícil, a casa é muito espaçosa e com o palco bem posicionado, de forma que qualquer um possa ver. Ainda era bem cedo quando o primeiro nome da noite subiu ao palco, e isto aconteceu às 18h15 com a banda Nervosa. O grupo já abriu shows para nomes como Exodus, Sodom, Artillary, Exumer e Raven, mostrando assim que vem realizando um excelente trabalho. O primeiro som a ser executado foi Time to Death, que antecedeu a paulada Justice be Done. Fernanda Lira (Baixo/Vocal) e Prika Amaral (Guitarra) estavam endiabradas, realizando um ótimo desempenho, deixando assim a galera agitadíssima. Fernanda é bem carismática e interage muito com o público e foi em umas dessas conversas que anunciou o único som cantado em português Urânio em Nós.

A banda veio para este show desfalcada de um baterista, e para suprir esta lacuna recrutaram temporariamente Amilcar Christófaro (Torture Squad) um nome de muito respeito no cenário nacional. Arrisco afirmar que esta foi à melhor apresentação que já presenciei, Amilcar botou um tempero a mais na “cozinha”, adicionando muito peso e técnica ao som agressivo do grupo. O tempo era curtíssimo e logo vieram Into Moshpit, Wake Up and Fight, Envious, Invisible Oppression e se despediram com Masked Betrayer, que já se tornou um clássico. A Nervosa mostrou nesta apresentação que esta afinadíssima, e se continuar nesta pegada irão chegar muito longe na velha e longa estrada do Thrash Metal.

O Genocídio foi o próximo a se apresentar e iniciaram às 19h15, com as faixas Fire Rain, Numbness Sunshine e Pilgrim. A banda apresentou ao público paulistano o seu novo integrante, o baterista João Gobo, que esta substituindo Patrick Leung. Além do já citado João Gobo, o Genocídio ainda conta com W. Perna (Baixo), Rafael Orsi (Guitarra) e Murillo Leite (Guitarra/Vocal). O repertório seguiu matador com as canções Reverse, Rebellion, The Sphere of Lilit e Uproar. A penúltima música com certeza foi o ápice do show, aonde o Genocídio prestou uma singela homenagem ao Venom, executando o hino Black Metal, a música foi cantada em uníssono. Os músicos deixaram o palco após tocarem The Clan. Em aproximados 40 minutos de apresentação, o Genocídio mostrou o porquê de estarem tantos anos na estrada. Foi um ótimo show.

Após um longo intervalo que durou mais ou menos 30 minutos, finalmente ás 20h40 chegou o momento do Destruction se apresentar. Subiram ao palco em meio a muita, mas muita fumaça, enquanto ao fundo rolava a introdução Days of Confusion que abre o CD The Antichrist e com isto ficou mais que evidente que a próxima seria a poderosa Thrash Till Death. O entusiasmado público mostrou que não estavam para brincadeira e proporcionaram na pista os tradicionais mosh pit. O trio alemão apresentou na seqüência a novíssima faixa Spiritual Genocide, ótima música por sinal. A temperatura voltou a se elevar quando Nailed to the Cross tomou conta do Via Marquês. É sempre muito bom poder ouvir este clássico ao vivo, esta é a quinta oportunidade que os vejo, e sempre parece ser a primeira, perfeito.

30 anos de carreira não são três anos, e com toda esta experiência ao seu favor, o grupo usa e abusa do palco, que conta com três pedestais de microfones muito bem posicionados sobre ele. Deixando assim o grandalhão Schmier muito a vontade, o vocalista fica se alternando entre os microfones, com isto todos os presentes na casa podem vê-lo mais de perto. Enquanto Schmier esta ao centro do palco, por exemplo, o guitarrista Mike Sifringer estará localizado em um dos lados, se o vocalista for para a esquerda, Mike se movimenta também, deixando a apresentação do grupo muito rica em presença de palco.

A quinta composição a ecoar pela casa foi de surpreender, não imaginaria que este som poderia fazer parte do setlist, estou falando de Satan's Vengeance, e logo após teve a faixa que deu origem ao velho açougueiro louco, mascote da banda. Sim, sim ela mesma Mad Butcher, que fez o clima ficar ainda mais agitado. Intercalando novas músicas com antigas o set foi sendo executado de forma primorosa e vieram à novíssima Carnivore, seguida de dois clássicos indiscutíveis Eternal Ban, Life Without Sense e novamente voltaram ao Disco Spiritual Genocide com Cyanide.

Até o momento metade do espetáculo já havia sido realizado, e continuo com a faixa Antichrist encontrada no álbum Infernal Overkill lançado há 28 anos. Após este petardo Schmier apresentou o baterista Vaaver ao público, que esta no grupo desde o ano de 2010. O eximo baterista realizou um grandioso solo de bateria, e para quem já havia assistido uma apresentação do Destruction anteriormente, sabia que era a deixa para a música Tormentor assumir o seu lugar no repertório, e logo após tocaram Hate is My Fuel.  Daqui pra frente os músicos despejaram uma avalanche de clássicos, encabeçada por Death Trap, passando pela belíssima The Butcher Strikes Back, que veio seguida da magnífica faixa Total Desaster. Antes de deixarem o palco mandaram à invasiva Bestial Invasion, com direito a velha brincadeira a qual o vocalista Schmier grita Bestial e os fãs Invasion. Na volta para o bis e ainda sem iluminação sobre o palco, podia se ouvir o arrepiante início de uma das mais queridas faixas já elaborada pelo os alemães, sendo ela Curse the God.

O Destruction já é um velho conhecido do público paulistano, nos últimos 8 anos se apresentaram por aqui nada menos que 5 vezes, média de 1 show a cada 1 ano e 6 meses, média baixíssima se tratando de uma banda estrangeira. Nesta última oportunidade realizaram um show mais que perfeito, repertório excelente, som afinadíssimo e presença de palco impecável.

 

Setlist – Nervosa

Time to Death

Justice be Done

Urânio em Nós

Into Moshpit

Wake Up and Fight

Envious

Invisible Oppression

Masked Betrayer


Setlist – Genocídio

Fire Rain

Numbness Sunshine

Pilgrim

Reverse

Rebellion

The Sphere of Lilit

Uproar
Black Metal (cover Venom)

The Clan

Setlist – Destruction

Intro: Days of Confusion

Thrash Till Death
Spiritual Genocide
Nailed to the Cross
Satan's Vengeance
Mad Butcher
Carnivore
Eternal Ban
Life Without Sense
Cyanide
Antichrist
Solo Bateria
Tormentor
Hate Is My Fuel
Death Trap
The Butcher Strikes Back
Total Desaster
Bestial Invasion

Encore

Curse the Gods

Agradecimentos à Damaris Hoffman pela atenção e credenciamento

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