At The Gates e Confronto - Hangar 110, São Paulo - 29/07/212

Por Leandro Cherutti

 

De quatro anos para cá, o que parecia impossível vem se tornando realidade. Com o dólar em baixa cotação e variando e com uma economia estável, os produtores brasileiros passaram a contratar com mais freqüência shows internacionais, abrindo assim as portas definitivamente para novas e veteranas bandas se apresentarem em nosso país. E este foi o caso da banda sueca At The Gates, que finalmente teve sua chance de se apresentar em nosso país. O grupo já passou por duas separações, sendo a primeira em1996 e a última em 2008, deixando assim os fãs brasileiros a ver navios no passado. Mas para a alegria de seus seguidores, o grupo retornou com força total em dezembro de 2010, revivendo aquela velha esperança que um dia havia morrido.  Com todos estes fatores econômicos ao nosso favor, e com o grande respeito que a cena brasileira conquistou no decorrer dos anos, a produtora Sob Controle pode tornar realidade um velho sonho, trazendo o grupo sueco para a cidade de São Paulo no último dia 29.

Mas uma vez o local escolhido para sediar um ótimo espetáculo foi à conhecida casa Hangar 110, uma velha conhecida do público paulistano. Público este que ao decorrer que a noite se aproximava, foi se aglomerando significantemente ao redor do tradicional reduto dos Headbangers paulistano. Por volta das 19h às portas se abriram, e com isto iniciou-se uma contagem regressiva até a tão aguardada apresentação da banda sueca At The Gates. Mas antes que isto acontecesse, tivemos o show com o grupo carioca Confronto, que compareceu ao palco às 20h15. Formado em 1999 no Rio de Janeiro, a banda vem desbravando o underground brasileiro com uma sólida formação, composta por: Felipe Chehuan (Vocal), Eduardo Moratoni (Baixo), Maximiliano Moraes (Guitarra) e Felipe Ribeiro (Bateria). Com um estilo musical próprio, a banda trás uma mistura de Death/Hardcore e com algumas passagens que chega a lembrar o velho e bom Thrash Metal, e acabou sendo uma ótima escolha para abrir a noite. O grupo executou composições inclusas nos CDs Causa Mortis e Sanctuarum, apresentando as faixas Abolição, Vale da Morte, De igual pra igual, Sem Perdão, Infanticídio, Confronto, Ocupação e Santuário das Almas. E ainda fizeram uma demonstração do novo disco ainda sem título, apresentando duas inéditas faixas, Imortal e Meu Inferno. Em uma rápida, mas precisa apresentação, os cariocas do Confronto prepararam muito bem o terreno para os escandinavos.

Após o excelente show da banda Confronto, tivemos um intervalo aproximado de 40 minutos, deixando os fãs ainda mais apreensivos. Mas toda esta ansiedade acabou quando uma introdução tomou conta dos PA’s, preparando o público para a contagiante faixa Slaughter of the Soul. Foi algo surreal, aquele momento tão aguardado por todos havia se tornado realidade, o At The Gates estava em ação. Cold foi a próxima a dar andamento ao show, e com ela vieram Terminal Spirit Diesease, a ótima Raped By the Light of Christ e Under a Serpent Sun do álbum Slaughter of the Soul de 1995. O show seguiu altamente acelerado com Windows, World of Lies, Burning Darkness, The Swarm, Forever Blind e Into the Dead Sky. O vocalista Tomas Lindberg é muito comunicativo, e  todo o momento que conseguiu uma oportunidade, o mesmo abriu um dialogo com os fãs. A banda ainda é composta por Anders Björler (Guitarra), Adrian Erlandsson (Bateria), Jonas Björler (Baixo e Martin Larsson (Guitarra), que proporcionaram uma verdadeira destruição musical no palco do Hangar 110. Com um repertório contendo 19 faixas o grupo seguiu com outros clássicos Suicide Nation, Nausea, The Beautiful Wound, Unto Others, All Life Ends e Need. Após executar 17 faixas os músicos deixaram o palco por alguns minutos, mas logo retornaram para o famoso e esperado bis, e trouxeram Blinded By Fear e encerraram com Kingdom Gone do aclamado álbum de 1992 the Red in the Sky Is Ours.

Em um show contagiante, o At The Gates mostrou o porquê de ser considerada uma das lendas do Death Metal Sueco, proporcionando um show impecável.  E foi assim que tudo aconteceu no Hangar 110, uma noite única e memorável, e que entrou para a história da cidade de São Paulo. Sem dúvidas este é o tipo de show que posso dizer: “Quem viu, viu, quem não viu, vai ter que contar com a sorte mais uma vez”.

 

Agradecimentos ao Costábile Salzano Jr. da The Ultimate Music pela atenção e credenciamento.

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