Obituary - Hangar 110, São Paulo - 14/04/2012

Fotos e resenha por Leandro Cherutti

O nome Obituary, é um ícone indispensável na coleção de qualquer fã de Death Metal que se preze. A banda é uma das pioneiras no estilo, e surgiu no grande “Boom” que ocorreu no mundo em meados dos anos 80 nos Estados Unidos e Suécia. Este movimento se destacou e ganhou uma enorme visibilidade com as bandas que se formaram no estado norte-americano da Flórida e o Obituary é uma delas. Recentemente estes americanos passaram por São Paulo, e se apresentaram no Hangar 110, ao lado de seus compatriotas do Acheron. O cast ainda contou com as atrações HeadHunter D.C. e Cruscifire, ambas nacionais.

A casa teve seus portões aberto às 19h, e aos poucos a galera foi entrando. Foi para um público razoavelmente pequeno que a banda Cruscifire, enraizada na cidade de Atibaia, interior paulista, deu início a sua curta apresentação. Os músicos nos presentearam principalmente com canções do recém-lançado EP HateFul de 2012. Dando ênfase a este trabalho, iniciaram com a brutal “Black Candle Light”, passando por “Last March” e “The Horror”.  O grupo é composto por Victor Angelotti (Baixo/Vocal), Vitor Nabuco (Bateria), Caio Angelotti (Guitarra) e Murillo Romagnoli (Guitarra). Os mesmos foram muito bem recebidos pela galera, e retribuindo a força, tocaram “Squeals from Slaughterhouse” do ótimo CD Chaos Season. Esta foi à segunda vez que os vi em ação, se você ainda não conseguiu, em uma próxima oportunidade não deixe de prestigiar. Para encerrar vieram “Creepy Anatomy” e “Hanged on Misery”.

A próxima atração foi o Headhunter D.C, que soube mesclar muito bem novas e antigas faixas. A abertura se deu com a intro “Funeral March” e logo veio a recém-saída do forno “Dawn of Heresy”. O pequenino vocalista Sérgio Baloff, conseguiu ganhar a atenção de todos logo na primeira canção, e daí em diante o que se viu, foi uma celebração ao Death Metal nacional com “... and the Sky Turns to Black...”. Nem mesmo um pequeno problema na guitarra de Paulo Lisboa incomodou o entusiasmado público. Do primeiro álbum Born... Suffer... Die apareceu a belissima “Am I Crazy?”, trazendo com ela outros velhos hits“. Searching For Rottenness” e “Death Vomit” e “God's Spreading Cancer”.

Não podemos deixar de citar o excelente desempenho do baixista Zulbert Buery, e do baterista Daniel Brandão, que fizeram um ótimo trabalho na “cozinha”.  As três últimas músicas foram “Deny The Light”, “Conflicts of the Dark and Light” e “Hail Metal Of Death”. Para quem imaginava que na Bahia só existisse o axé, se enganou. Estes baianos colocaram para quebrar, e mostraram que não é só de acarajé e trio elétrico que se vive na terra de todos os santos.

No momento que o Acheron se preparava para realizar sua primeira apresentação em São Paulo, ocorreu um imprevisto, faltou energia no Hangar 110. Sem dúvida alguma, a preocupação tomou conta do pensamento de cada um dos presentes, até por que muitos que estavam ali dependiam de transporte público para se locomover, e com o atraso, as chances de passar a madrugada na rua se tornavam iminente. Depois de aproximados 50 minutos, a energia foi restabelecida, e o Acheron pode realizar sua estreia em solo paulistano, e mostrar a todos o seu Death Metal satânico. Tudo começou com uma arrepiante introdução, e abrindo o caminho das trevas com “Legions of Hatred” e “Thou Art Lord”.  A blasfêmia e devoção a satanás tomou conta do ambiente neste momento da noite. Ver a figura de Vicent Crowley (Vocal/Baixo) no palco é como ver a própria personificação do mal. Para o deleite de todos, tivemos “Church of One”, “The Apocalypse” do último full-length The Final Conflict: Last Days of God e “Ave Satanas”. Em “Fuck The Ways Of Christ” Vicent Crowley fez questão de rasgar uma bíblia no palco, e jogar o resto que sobrou para os fãs, um momento inesquecível.

Em um show totalmente eficaz, Vicent e sua trupe, formada pelo baterista Kyle Severn (Acheron e Incantation), Max Otworth (Guitarra), e também pelo guitarrista Shaun Cothron, elevaram os níveis de blasfêmia em “I am Heathen”, “Satans Holds Dominion” e “LifeForce (The Blood)”. E no encore o hino “Prayer Of Hell”, após o show os músicos ficaram na pista, conversando e tirando fotos com os fãs.

Após todo o transtorno e atraso ocorrido na noite, chegou a hora de conferir o Obituary, um dos maiores pontos de referência dentro do Death Metal. Para a surpresa de muitos, a banda veio com uma formação alterada, sem o exímio guitarrista Ralph Santolla. O seu substituto foi Lee Harrison, baterista da também norte-americana Monstrosity. A banda começou de forma apoteótica, com as composições “Redneck Stomp” e “On The Floor”, em seu vácuo seguiu a “Internal Bleeding” do disco de estréia Slowly We Rot. Com uma experiência de 23 anos de palco, John Tardy (Vocal), soube como comandar a festa, e foi chamando clássicos atrás de clássicos, tais como “List Of Dead”, “Blood to Give”, duas que fazem parte do LP Darkest Day, e ainda “Chopped in Half” e da cadenciada “Turned Inside Out”.  O Baixo contou com o gigante Terry Butler, o cara é uma verdadeira lenda no estilo, tocando no passado com a extinta banda Death e até recentemente no Six Feet Under. Na bateria tivemos o maestro Donald Tardy, sempre muito sério e bem compenetrado no que faz, e na guitarra agitando o seu longo  cabeludo Trevor Peres, outro mestre nas 6 cordas.

O repertório escolhido pela obituary , foi muito bem selecionado, pincelando grandes sucessos do longo de sua  carreira, outros destaques ficaram com o cover do Celtic Frost “Deathoned Emperor”, “The End Complete”, “Evil Ways” e colocando um ponto final com “Slowly We Rot”.

Foi uma noite cansativa devido a tudo que aconteceu, mas altamente gratificante ver este fabuloso cast em ação! Mais uma vez irei parabenizar a Tumba Productions por mais uma belíssima organização.

Set List Acheron:

1.Intro
2.Legions of Hatred
3.Thou Art Lord
4.Church of One
5.The Apocalypse
6.Ave Satanas
7.Fuck Ways of Christ
8.I am Heathen
9.Satan Holds Dominon
10.LifeForce (The Blood)”

Bis

11.Prayer Of Hell

Agradecimentos ao Luciano Piantonni da LP METAL PRESS.

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