Monsters of Rock - Arena Anhembi, São Paulo - 25/04/2015

Por Rogério Talarico
Fotos gentilmente cedidas por Leandro Anhelli.

O festival Monsters of Rock voltou a São Paulo após quase 2 anos. A produção trouxe nesta edição atrações lendárias e resolveu fazer um ‘revival’ e resolveu trazer bandas como Ozzy Osbourne, Kiss e Motorhead, headliners de edições passadas.

Neste ensolarado primeiro dia de festival, com os portões abrindo na hora marcada, a única desorganização visível era a liberação da entrada, visto que muitos fãs perderam os primeiros shows devido a filas quilométricas que se estenderam até o início da noite. Porém, dentro do festival a história era diferente, haviam muitos caixas para compra de alimentação – que apesar de um vasto cardápio possuíam preços elevados - que não formavam grandes filas, muitos locais com banheiros químicos, locais de vendas de camisetas oficiais do festival e das bandas, e também uma mini galeria improvisada que continha lojas de CDs e DVDs, roupas, joias, maquiagem e até mesmo cortes de cabelo.

A primeira banda a se apresentar neste Sábado foram os latinos do De La Tierra. Com seu metal cantado em espanhol e português, o grupo formado pelo baterista mexicano Alex González (Maná), pelo guitarrista brasileiro Andreas Kisser (Sepultura) e pelos Argentinos Sr. Flávio (Los Fabulosos Cardillacs) no baixo e Andrês Giménez (A.N.I.LM.A.L.) na guitarra base e vocal, subiu ao palco pontualmente ao meio dia e deu um show para um público já expressivo. Animados, a banda que juntamente ao Doctor Pheabes foram as únicas que representaram América do Sul no Festival tocaram canções de seu primeiro álbum autointitulado e finalizaram a apresentação com a boa ‘Cosmonauta Quechua’.

O próximo grupo a se apresentar foram os alemães do Primal Fear. Sem muita enrolação, a banda entrou ao palco pontualmente e com seu mais novo baterista, o brasileiro Aquiles Priester (Hangar, Noturnal, About2Crash) foram ovacionados pelo público. Ainda divulgando seu último álbum intitulado “Delivering the Black”, o grupo empolgou os fãs que se aglomeravam a frente do enorme palco do Monsters. Ralf Sheepers e cia são bem calorosos e muito técnicos, tocaram ótimas canções de sua banda como “Nuclear Fire”, o também seu hino “Metal is Forever” e “Running in the Dust” saindo do palco ao som das palmas do público.

Às 14h20min, ao som de seu grande sucesso “Loco” os californianos do Coal Chamber deram seu ‘olá’ ao Brasil.  A banda que ficou 10 anos em hiato (inativa, para que não conhece esse termo) retornou suas atividades em 2012 e pela primeira vez pisaram em solo brasileiro. Formado por Dez Fafara nos vocais, Mikey “Bug” na bateria, Meegs Rascon na guitarra e a baixista Nadja Puelen - única mulher que subiu ao palco neste festival-, foram impecáveis em sua apresentação, mas por ser a único grupo de Nu Metal que subiu ao palco do Monsters não pareceu empolgar muito o público, mas que foi bem respeitoso com a banda. Os maquiados focaram sua apresentação em suas canções do início dos anos 2000 como “Clock”, “I”, “Oddity” e finalizou com “Sway”, música bastante tocada por aqui na mesma época.

Também pontualmente, a próxima banda que se apresentou foi a Rival Sons. Provavelmente a banda menos conhecida do público, arrancaram elogios do público já em sua primeira canção, “Electric Man” que se surpreendeu com a musicalidade do grupo, lembrando por vezes The Doors e Led Zeppelin. Os músicos pareciam muito empolgados por estar no Brasil e mesmo que não tão comunicativos com o público, a banda tocou e encantou. Entre as músicas, exacerbados riffs de guitarra mostravam a destreza de Scott Holiday e canções como “Secret”, “Tell me Something” e “Open My Eyes” mostraram todo o alcance vocal de Jay Buchanan. A empolgante ”Keep on Swinging” fechou a apresentação dos norte-americanos.

A primeira banda que se atrasou ao subir no palco foram os californianos do Black Veil Brides. Com 15 minutos de atraso, subiram e mesmo com o som do grupo bem mais alto do que das bandas anteriores, a nova banda entregou um bom show até o momento em que fãs ‘veteranos’ do festival começaram a vaiar os novos ‘monstros do rock’, num tom de total desrespeito não somente para com a banda, mas também com o público presente. Respeitosamente, o vocalista Andy Biersack informou ao público que não que estava muito feliz em estar alí no palco e desculpou-se por não ser o Motorhead – banda que o público clamava – mas que terminaria seu show. Sem mais delongas, a banda encerrou seu curto show com “Fallen Angels” e “In The End” com muito profissionalismo.

Após muito criticar os novatos e clamar o Motorhead, o público recebeu a péssima notícia que Lemmy Kilmister, vocalista e principal elemento do Motorhead havia passado mal devido a problemas estomacais na tarde de sábado e não conseguiria se apresentar para os fãs paulistanos. Porém a produção do evento conseguiu preencher parte da lacuna de horário do show e chamou Phill Campbell e Mikkey Dee do Motorhead e também Derick Green, Andreas Kisser e Paulo Xisto do Sepultura para uma Jam. Os músicos executaram “Orgasmatron”, “Ace of Spades” e “Overkill”, dando ao público um gostinho do que poderia ter acontecido no palco com Lemmy. Claro que foi uma ótima ideia da produção em entregar aquela memorável jam ao público, mas decerto que o público esperava ver a lenda no palco ficou bem chateado. Que Lemmy melhore logo e consiga presentear o público paulistano em breve.

As 20h30min, os britânicos do Judas Priest subiram ao enorme palco do Monsters of Rock. Capitaneado por Rob Halford, o quinteto mostrou um verdadeiro show de Heavy Metal. Abrindo seu show com “Dragonaut” e o hit “Metal Gods”, Ian Hill – baixista e o único membro original da banda - e cia proporcionaram um show extremamente pesado, coeso e profissional ao público e para quem adora a banda, foi um prato cheio de clássicos: “Victim of Changes”, “Love Bites”, “Redeemer of Soul” e é claro “Breaking the Law” não podiam ficar de fora e compuseram a primeira parte do show. Com 2 intervalos entre suas músicas, a banda finalizou seu primeiro incrível show com a badalada “Living After Midnight”.

Com a noite chegando ao seu final e a garoa caindo em São Paulo, o Príncipe das trevas subiu ao palco ao som de “Carmina Burana”, clássico de Carl Orff. Acompanhado por Rob “Blasko” Nicholson no baixo, Tommy Clufetos na bateria. Gus G na guitarra e Adam Wakeman – filho do lendário tecladista Rick Wakeman (ex-Yes) -, Ozzy subiu ao palco e iniciou “Bark at the Moon” do álbum com mesmo nome e também a ótima ”Mr. Crowley”. Dez mil palavras não expressariam o show que viria a seguir.

Ozzy que é um showman, mesmo aos seus 66 anos e com a voz já um pouco tremula corria no palco e se comunicava incessantemente com o público e, com uma enorme mangueira jogava jatos de espuma em cima do público e também nos fotógrafos do festival e, a todo momento gritava “I can’t fucking Hear you!”, clamando empolgação.

Mesclando sua apresentação com músicas de sua carreira com o Black Sabbath como “Fairies Wear Boots”, “War Pigs”, “Rat Salad” e “Iron Man”, o show ainda contou com ótimos solos de guitarra e bateria de Gus e Tommy. Como é realizado incessantemente há mais de 40 anos, o ‘madman’ encerrou essa primeira e ótima noite de Festival com o hino “Paranoid”, deixando todos muito cansados, porém com sorriso no rosto, compensando qualquer espera para vê-lo ao vivo.

Agradecimentos a Simone Catto e Denise Catto da Midiorama pela atenção e credenciamento.

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