Ministry – Audio Club, São Paulo – 06/03/2015

Por Otávio Juliano
Fotos por Amanda Sampaio 

“Quem espera, sempre alcança”. Esse provérbio cabe perfeitamente para definir a noite do dia 06 de março em São Paulo na casa Audio Club, afinal foram décadas que marcaram o longo período de espera dos fãs por um show da banda norte-americana Ministry no Brasil.

Um dos maiores e mais influentes nomes do que se chama de Metal Industrial, o Ministry foi formado em 1981 por Al Jourgensen, um cubano radicado nos Estados Unidos, vindo a alcançar sucesso mundial absoluto na virada da década de 80 para 90. Apesar de inúmeros “flertes” do Ministry com os produtores locais, um show do grupo não havia sido confirmado até então por aqui, até que em 2015 isso finalmente aconteceu.

E foi uma noite brutal. Mais do que isso, eu diria visceral. O Audio Club “tremeu” com a altura do som e o clima ficou ainda melhor com a baixa luz da casa e a iluminação vermelha que se via no palco. A carreira que o Ministry construiu ao aliar a batida eletrônica ao peso do Metal foi posta à prova diante dos olhos dos fãs que, a se basear por este que vos escreve, saíram muito satisfeitos.

Em turnê de divulgação do álbum “From Beer To Eternity” (2013), prometido pelo vocalista e líder Jourgensen como o último disco de estúdio do grupo, o Ministry abriu o repertório com canções mais recentes como “Hail to His Majesty” e “Punch in the Face”, literalmente uma “porrada na cara” da plateia.

O circo estava armado e a pauleira correu solta com canções como “Life Is Good”, “LiesLiesLies” e ainda “Rio Grande Blood”, executada sem a introdução que faz menção ao ex-presidente norte-americano George W. Bush, figura recorrente nas letras críticas e fortes de Mr. Al Jourgensen.

Devido à chuva, o trânsito de São Paulo ficou caótico na sexta-feira à noite e novamente bateu recordes de quilômetros de tráfego pesado. Isso resultou em um atraso de 45 minutos no início do show, o que tornou a longa espera de décadas ainda mais dolorida. A casa não lotou, mas os fãs foram chegando, na sua maioria na faixa dos 35 aos 45 anos de idade, e a pista ficou cheia, ainda que bastante confortável por não estar lotada.

Quando a banda resolveu executar talvez os quatro maiores clássicos da carreira do Ministry, o público foi à loucura. “N.W.O.”, “Just One Fix”, “Thieves” e “So What” foram arrebatadoras. Praticamente não havia uma pessoa sequer na plateia que não balançasse ao menos a cabeça, sem contar as rodas que se abriram no meio da pista, atendendo aos pedidos do próprio Jourgensen - durante a canção “Thieves”, o mosh que se formou tomou conta de quase toda a parte frontal da pista.

A formação atual da banda, que conta com John Bechdel (teclado), Aaron Rossi (bateria), Tony Campos (baixo), Sin Quirin (guitarra) e o recém-chegado Cesar Soto (guitarra), mostrou-se impecável. O líder e vocalista Al acertou na escolha dos músicos que, com exceção de Cesar Soto, já haviam inclusive participado da então anunciada como última turnê do Ministry em 2008. Para a felicidade dos brasileiros, Jourgensen mudou os planos, retomou o Ministry em 2011 e finalmente chegou ao país em 2015, para um show de pouco mais de 1 hora e meia que valeu cada ano de expectativa dos fãs.

Da mesma forma que iniciei esse texto, faço novamente uso de um ditado popular: “tudo que é bom dura pouco”. Esses noventa minutos de pura vibração e nostalgia foram excelentes, mas duraram pouco. Eu ficaria mais algumas horas vendo o Ministry no palco do Audio Club em São Paulo. Obrigado pela visita, Jourgensen. Você tardou, mas não falhou.

Set List:

Hail to His Majesty
Punch in the Face
PermaWar
Fairly Unbalanced
Rio Grande Blood
Señor Peligro
LiesLiesLies
Waiting
Worthless
Life Is Good
N.W.O.
Just One Fix
Thieves
So What 

Bis:
Khyber Pass

Agradecimentos a Heloisa Vidal e à FreePass Entretenimento pela atenção e credenciamento.


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