03/09/2014 Workshow Dave Lombardo no Manifesto Bar em São Paulo

Por Rogério Talarico
Fotos por Bárbara Martins

Eventos de workshops e workshows estão ficando cada vez mais comuns pelo Brasil - e os fãs agradecem! - sendo uma forma dos ídolos se comunicarem mais intimamente com os fãs e mostrarem um pouco de uma técnica e destreza em seus instrumentos, além de contar fatos inusitados de suas carreiras. A Rádio Rock Freeday em Parceria com a Escola Bateras Beat desta vez trouxe ao Brasil a lenda Dave Lombardo. O baterista que ficou conhecido com a banda Slayer veio a São Paulo para falar um pouco de sua experiência de vida, técnicas de bateria e também responder a perguntas de fãs do bom e velho Heavy Metal.

O evento que ocorreu no tradicional Manifesto Bar abriu as portas às 20h e mesmo com muita desorganização na entrada em pouco tempo a casa de shows ficou completamente lotada para apreciar o workshow. Primeiramente o proprietário da escola Bateras Beat, Dino Verdade acompanhado por Dney Bittercourt na guitarra e Ney Neto no baixo formando o Brisa Trio subiram ao palco e executaram jams voltadas ao Blues e também um medley contendo trechos de canções do Iron Maiden, Metallica e Pink Floyd, entre outras canções. O grupo que esbanjou técnica estava bem animado e encerrou  sua apresentação as 21h35min com um petardo de groove music.

O próximo a subir ao palco foi Eloy Casagrande. Às 21h40min, o atual baterista do Sepultura tocou musicas da Lahweh, sua outra banda de Metal Cristão, além de tocar musicas do novo álbum do Sepultura como "Manipulation of Tragedy" e "Trauma of War". Com 23 anos Eloy  vêm provando que é um monstro na bateria, e nesta noite tocou com tanta força e garra que acabou estourando a pele da caixa de sua bateria, causando uma pausa em seu estrondoso show para uma rápida troca. Eloy ainda assumiu que gosta de diversificar na bateria e tocou um medley contendo samba e composições próprias, frisando que gosta de tocar um pouco do que estuda e que passa muito tempo estudando música brasileira e suas vertentes. Após seu show, Eloy voltou ao palco ao lado de alguns grandes bateristas do Brasil como Bruno Valverde (ANGRA), Amílcar Cristófaro (TORTURE SQUAD) e Aquiles Priester (PRIMAL FEAR /NOTURNALL), além também do Dino Verdade e contaram um pouco sobre suas experiências com as marcas Evans e Promark, patrocinadoras desta noite.

Ás 22h40min Dave Lombardo entrou ao palco e foi ovacionado pelo público. Após alguns trechos de canções do Slayer, Dave levantou-se de sua enorme bateria e agradeceu ao público, aos patrocinadores e preocupado se o público o entenderia, o baterista de origem cubana perguntou se  sua plateia preferiria que ele se comunicasse em espanhol ou em inglês, tendo total adesão pelo idioma do Tio Sam. Após a abertura para perguntas, muitos fãs começaram a questionar seus gostos pessoais, hobbies, curiosidades sobre o Slayer, Philm, Fantômas e Testament, algumas das bandas em que Lombardo participou ativamente ou apenas gravando álbuns.

Perguntas e mais perguntas:  Hobbies, Slayer e outros projetos

Entre algumas perguntas, foi questionado se Dave gostava e sabia um pouco sobre a música brasileira, momento em que o atencioso baterista solfejou "Mas que nada" música do compositor Sérgio Mendes arrancando gargalhadas do público, iniciando uma longa noite descontraída. Filmando o público com seu celular, Lombardo então contou sobre a turnê que o Slayer fez juntamente com o Venon em meados dos anos 80 em que após um desafio Tom Araya (vocalista do Slayer) urinou no rosto de Cronos (vocalista do Venon) e recebendo assim um grande soco de Cronos, ganhando um olho roxo durante toda a turnê. Ainda sobre o Slayer, admitiu que seu disco predileto é o famoso Reign in Blood e comentou que demorou apenas 4 dias para finalizar suas gravações. Contou também que nunca frequentou escola nenhuma de bateria e todo dinheiro que possuía era fruto de pedidos a sua mãe e que o investia comprando LP´s e assim aprendeu a tocar ouvindo seus discos prediletos, mas apoiou firmemente os presentes a frequentarem uma escola, para aprender toda a musicalidade existente.

Sobre o Fantômas, grupo liderado por Mike Patton (Faith No More), o carismático baterista contou que Igor Cavalera seria o dono das baquetas da banda porém indicou-o. Dave então voltou a sua bateria para atender a um pedido de um fã e tocou uma canção do Testament. Ainda atendendo a pedidos, tocou petardos do Grip Inc. e também do Philm, sua atual banda e sempre esbanjando muita técnica e potência. Uma fã então fez uma pergunta bem carismática e descontraiu ainda mais o ambiente, perguntando a Dave se ele concordava que após a saída dele do Slayer a banda deveria mudar o nome para 'Slower'  (N.R: referência a lentidão, vagaroso, sem pressa) devido ao som estar mais cadenciado, arrancando boas gargalhadas do músico e do público.

Sobre seus gostos pessoais, Dave contou que anda ouvindo muito Ray Charles e até arriscou a tocar "Mess Around" numa versão dele própria. Falando sobre o que anda ouvindo, alegou que ouve Buena Vista Social Club, Pink Floyd, KMFDM, The Ventures, White Stripes entre outros e  respondendo outra pergunta fez uma brincadeira falando que raramente escuta Trash metal, pois passou a vida toda escutando e fazendo isso; fez até mesmo uma analogia falando que é como se estivesse comendo somente farofa - sim, farofa - a vida toda e adora provar outros sabores como arroz e feijão, fato que surpreendeu aos fãs presentes, porém mostrou também sua versatilidade musical.

Bateria: Dicas e técnicas

Dave contou e mostrou para os sortudos presentes na noite formas de segurar baqueta para conseguir mais ganho com elas; contou também que com o passar do tempo foi desenvolvendo uma dor em sua coluna, até descobrir que ajustando e rebaixando sua banqueta resolveria este problema e frisou que as vezes é mais simples do que se parece a resolução de problemas, começando pela postura ao tocar. Dave também demonstrou como testar a velocidade dos pedais para conseguir mais ganho e conseguir manter o ritmo e velocidade adequados para se tocar com bumbo duplo, entre outras dicas.

Após aproximadamente 1h30min de pura simpatia além de esbanjar técnica e precisão com seu instrumento, ao ser questionado pela produção se gostaria de descansar, com prontidão Dave retrucou: "Não preciso descansar, estou ótimo" e começou a autografar itens do público, atendendo a todos que queriam um momento com seu ídolo, comprovando não somente que Dave Lombardo é um grande baterista mas também uma pessoa extremamente humilde, um exemplo para com seus fãs. Sem dúvidas um evento intimista único, com este que é um dos maiores bateristas da atualidade no quesito trash metal.

Agradecimentos ao Dino Verdade e ao Naná da Bateras Beat pela atenção e credenciamento.

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