Rotting Christ - Hangar 110, São Paulo - 18/05/2014

Por Leandro Cherutti

Em 1987, surgiu na cidade de Atenas, Grécia, uma banda que viria revolucionar a forma de fazer Heavy Metal naquele país. Estou me referindo ao Rotting Christ, formada até então por dois jovens irmãos visionários, de nome Themis e Sakis Tolis. Juntos, ambos conseguiram elevar não só o nome do grupo a um patamar respeitado, como também contribuíram de forma importante, para a forte cena Black Metal que estava surgindo na Europa no final dos anos 80. Hoje o Rotting Christ possui um nome consolidado na cena extrema. A banda já realizou algumas apresentações na cidade de São Paulo, sendo a última visita 1 ano e 2 meses atrás. O show ocorreu na Rua Rodolfo Miranda, 110, bairro do Bom Retiro, São Paulo. Este é o local ao qual fica situado o conhecido Hangar 110. No último dia 18, o Rotting Christ retornou a capital paulista e realizou um show impecável, neste mesmo lugar.

O domingo amanheceu ensolarado e quente, com fortes indícios que seria um belo dia de outono, mas, com o passar das horas, o tempo mudou e as nuvens chegaram trazendo uma forte tempestade, com direito a muito granizo. Devido a este motivo, me atrasei um pouco e não consegui presenciar a apresentação da banda Morte Negra.

Na seqüência tivemos a banda Justabeli, originária da cidade de Diadema, grande São Paulo. O grupo segue a vertente conhecida como War Metal. Após ficar algum tempo em estado de hibernação, o Justabeli voltou com força total, realizando o seu primeiro show exatamente neste dia tão especial. O trio é composto por War Feris (baixo e vocal), Victor Prospero (guitarra e vocal) e Marcelo Furlanetto (bateria). E falando em bateria, não posso deixar e relatar algo que me chamou muita a atenção, pois a mesma estava coberta com algum pano ou algo parecido que simulava uma camuflagem do tipo folhagem, muito usado pelo exército para camuflar tanques de guerras e abrigos em lugares de campo aberto, imediatamente associei a imagem a uma trincheira. O justabeli pretendia neste dia 18 realizar o lançamento do seu mais recente trabalho, mas devido um problema não informado isto não aconteceu, o grupo então desferiu algumas de suas novas composições, sendo elas Die In The War e Soldiers of Satan, muito bem intercaladas com Grito de Gerra de seu primeiro CD. As seqüência mais duas novidades Cause the War Never End.., Satan’s Whores e finalizou com mais uma das antigas Hell War. Em exatos 30 minutos, o grupo passou com muita energia sua proposta musical, conseguindo desta forma preparar o público para a atração principal.

A terceira atração foi o Ocultan, que esta em atividade desde 1994. Atualmente o grupo é o maior expoente do Black Metal brasileiro e digo de passagem com muito mérito. O grupo trouxe ao palco do Hangar 110, uma energia negra, regada a muita blasfêmia, ocultismo e um pouco da religião africana, conhecida como quimbanda. Atualmente o quarteto é formado por Count Imperium (vocal), Lady of Blood (guitarra), Magnus Hellcaller (baixo) e Malus (bateria). Nesta noite a banda apresentou um pouco do seu enorme repertório, iniciando com a introdução Tormentor e passando pelas composições: Fúnebre e Morto e Enterrado, ambas do ultimo disco intitulado Shadows from Beyond. O Ocultan proporcionou um show de alto nível e o público respondeu à altura, desta forma a banda mandou a ótima faixa O Orgulhoso Exu Belzebuth, e ainda Fuck Your Religion, Unguia Unketa Muki Azan Akodi, O Caixão e Shadows from Beyond. Para o final restaram, O Triunfo da Escuridão e For the Supreme Occult, esta inclusa no primeiro Full-length: Bellicus Profanus. Uma apresentação digna de elogios poderia perfeitamente ser a atração principal da noite.

O Rotting Christ chegou de forma avassaladora, e não poderia ser pra menos, o grupo possui uma vitalidade e uma energia fora do comum e iniciaram com a boa introdução Ach Golgotha do aclamado EP Passage to Arctur. Seguida de perto pela boa composição 666 e Dub-Sa?-Ta-Ke, esta ultima faz parte do bom álbum Aealo de 2010. O Rotting Christ tem toda sua estrutura fundamentada em torno dos irmãos Tolis, formando assim uma união muito bem sucedida.  Juntos conseguiram cravar na história da música extrema, este nome de significado forte. Mas para que toda esta magia contida em seus discos possa ganhar os quatro cantos do mundo em forma de apresentações, Sakis e Themis necessitam de certa ajuda e para tal façanha recrutaram os músicos de apoio Vagelis Karzis (baixo) e George Emmanuel (guitarra), ambos se alternam muito no palco, se tornando duas atrações a parte dentro do show. Já Sakis Tolis (vocal/guitarra), é um frontman de primeiro escalão, sabe como conduzir o público da melhor forma, o mesmo é incansável, agitado e muito expressivo, isto tudo é transmitido aos fãs, que reagem da melhor forma na pista. Mas ao fundo ficou o grandalhão Themis Tolis, que ditou o ritmo do espetáculo, executando com perfeição notas em sua bateria.

Muitos dos fãs mais conservadores torcem o nariz para esta fase mais “moderna” da banda, se é que posso assim chamá-la, pelo simples fatos dos músicos terem tentado uma proposta um pouco diferente das pregadas em seus primórdios. Mas a verdade seja dita, ao vivo estas composições que de certo modo às vezes são rejeitadas, soam com muito peso e agressividade, mantendo o mesmo padrão musical das então aclamadas clássicas. E falando nas antigas, elas não foram esquecidas e fizeram parte deste catado Fgmenth, Thy Gift, Transform All Suffering Into Plagues, Non Serviam, The Forest of N’Gai, The Sign of Evil Existence, The Fifth Illusion. Do mais recente disco Kata Ton Daimona Eaytoy tocaram a excelente In Yumen-Xibalba. Outra boa composição foi Societas Satanas, cover da banda Thou Art Lord, a qual Sakis faz parte com o nome de Necromayhem. O disco Triarchy of the Lost Lovers, foi muito bem representado por King of a Stellar War e Archon. Um show mais que insano, os gregos sabem como ninguém proporcionar um grande espetáculo. Se em uma próxima oportunidade tocarem por aqui, não fiquei com receito de presentear ou comprar o ingresso, pois este presente de grego é muito bom.

Foi um repertório muito bem escolhido, os gregos conseguiram realizar como sempre uma impecável performance. Creio que banda e fãs se deram por satisfeitos pela cerimônia realizada neste domingo. Antes que fossem para o hotel, os músicos ainda se prontificaram a atender alguns fãs que se aproximaram solicitando autógrafo, foto ou uma simples conversa com seu ídolo. Demonstrando assim um respeito àqueles que os apóiam de agora ou desde sempre. Se eu tivesse que resumir a banda em uma única palavra, eu diria: Simplicidade.

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