Kataklysm - Hangar 110, São Paulo - 25/04/2014

Por Leandro Cherutti

A banda Kataklysm, formada em 1991 no Canadá, conseguiu em pouco mais de duas décadas, elevar o seu nome a um patamar importante dentro da música extrema mundial, figurando hoje em dia entre os melhores grupos de Death Metal da atualidade. No ano de 2013 lançaram o álbum Waiting for the End to Come e com ele vieram às turnês desse aclamado disco e foi assim que a banda chegou ao Brasil, para a realização de alguns shows. O primeiro ocorreu no último dia 25 de abril na cidade de São Paulo, ao lado dos brasileiros do In Torment.

A abertura do evento ficou por conta dos gaúchos do In Torment, que precisamente às 21h subiram no palco, trazendo consigo á primeira faixa The Flesh and the Spirit do CD Paradoxical Visions of Emptiness de 2011. Com uma levada forte, o grupo seguiu com Into Abyssal Landscapes e Insane Perceptions. A banda é formada por Rafael Giovanoli e Alexandre Graessler nas guitarras, ambos são excelentes músicos, Rafael ainda  chama a atenção devido o enorme comprimento de seus cabelos em forma de dreads. O baixo contou com Bruno Fogaça. No microfone ficou Alex Zuchi, que em alguns momentos me lembrou Frank Mullen, vocalista da banda norte americana Suffocation. Por ultimo e na bateria, esteve Dionatan Britto. O repertório do In Torment ainda contou com The Unnatural Conception, faixa que recentemente ganhou um vídeo clipe, o primeiro do grupo e pertence ao novo disco Sphere of Metaphysical Incarnations, que saíra ainda este ano. As próximas a serem tocadas foram Paradoxical Visions of Emptiness, Grotesque Defacement e encerraram com Far Beyond Mortality, mais uma das novas. Foi um show curto, mas muito vigoroso e consistente, esquentou perfeitamente o público. Apresentação perfeita em minha opinião.

O intervalo foi relativamente grande e durou 35 minutos, mas finalmente às 22h10 as cortinas se abriram e uma boa introdução tomou conta do Hangar 110, ao mesmo tempo uma leve fumaça caiu sobre o palco. Com as luzes ainda apagadas, os músicos entraram no palco e ali aguardaram o fim da introdução. Ao término, tivemos a primeira paulada da noite, a surpreendente Prevail. Neste momento a iluminação ganhou um tom esverdeado passando pelo amarelo e às vezes pelo magenta, enriquecendo ainda mais o espetáculo. Foi neste clima que a banda seguiu com sua apresentação, executando as faixas Push the Venom e Like Angels Weeping (The Dark), esta última do bom disco In the Arms of Devastation de 2006. Era o fim de anos de espera, finalmente banda e fãs estavam frente a frente pela primeira vez.

O grupo atualmente esta composto pelo imponente vocalista Maurizio Iacono, que nos primórdios realizou o papel de baixista na banda, ao seu lado uma dupla incansável, Jean-François Dagenais (guitarra) e Stéphane Barbe (baixo), ambos se alternam constantemente no palco e sem duvidas são duas figuras mais do que importante dentro da proposta do grupo, tanto musicalmente quando no aspecto visual, os dois permaneceram praticamente todo o show bangueando e interagindo com os fãs. Ao fundo tivemos o mais novo membro desta formação, o baterista Olivier Beaudoin, que assumiu as baquetas após Max Duhamel deixar o grupo, para tratar seu problema com alcoolismo.

O Kataklysm seguiu tocando Like Animals e As I Slither. Que show até o momento, algo inexplicável, o som entrou em meu corpo de tal forma, que foi quase impossível ficar parado, e acredito que não só em mim, pois 80% dos presentes estavam na mesma pegada, agitando o som. O hangar 110 é uma casa pequena, porém muito aconchegante, eu particularmente gosto muito e muitas pessoas que conheço e converso dizem ter a mesma opinião. Hoje não foi diferente, a casa acolheu muito bem o público e assim mais um capitulo ficou gravado na história do Hangar 110, que já presenciou grandes nomes do metal extremo em seu palco e o Kataklysm entrou para este hall.

Com o passar do tempo, o show foi se tornando cada vez mais grandioso e juntamente com o andar do relógio, vieram os hits At the Edge of the World e Taking the World by Storm. Antes que a canção Fire fosse tocada, Maurizio Iacono se virou de costas para a platéia, abriu os seus braços por alguns segundos, como se fosse algum tipo de ritual, em seguida se posicionou de frente e soltou o seu poderoso vocal, esta composição alterna passagens rápidas e cadenciadas, como a encontrada em seu refrão. O vasto repertório ainda contou com a bordoada Blood on the Swans, a razoavelmente nova Kill The Elite e ainda a perfeita Blood in Heaven do CD Prevail, seguida de Iron Will e Elevate.

Para a parte final, reservaram três grandes clássicos, o primeiro que chegou de forma devastadora foi In Shadows And Dust, seguido de outras duas esplendidas canções do álbum In the Arms of Devastation, e foram elas: Crippled and Broken e The Road to Devastation, esta ultima também encerra o disco de 2006. Sem palavras, a banda simplesmente detonou.

Após o show, a banda atendeu aos poucos fãs que ali permaneceram, conversaram, tiraram fotos, distribuíram palhetas e autógrafos. Uma apresentação soberba, o Kataklysm realizou um espetáculo impecável, não deixando duvidas do porque estarem despontando como um dos melhores em seu estilo. Simplesmente indescritível o que ouvi e vi nesta noite. Estou ansioso para revê-los novamente e você que não foi não perca em uma próxima oportunidade.

Setlist – In Torment

The Flesh and the Spirit
Into Abyssal Landscapes
Insane Perceptions
The Unnatural Conception
Paradoxical Visions of Emptiness
Grotesque Defacement
Far Beyond Mortality

Setlist - Kataklysm
Prevail
Push the Venom
Like Angels Weeping (The Dark)
Like Animals
As I Slither
At the Edge of the World
Taking the World by Storm
Fire
Blood on the Swans
Kill The Elite
Blood in Heaven
Iron Will
Elevate
In Shadows And Dust
Crippled and Broken
The Road to Devastation

Agradecimentos ao Costábile Salzano Jr. da The Ultimate Music pela atenção e credenciamento.



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