Lollapalooza - Autódromo de Interlagos, São Paulo - 05 e 06/04/2014

Por: Isabel Ferreira
Fotos gentilmente cedidas por: Marcelo Rossi - Conheça o trabalho do fotógrafo, clique aqui.

No último final de semana o autódromo de Interlagos recebeu o Lollapalooza, terceira edição no Brasil e primeira no local.

Pelo menos 60 mil pessoas estiveram presentes nos dois dias de festival para conferir os shows de Nine Inch Nails, New Order, Soundgarden entre outros.

Este ano, o Lollapalooza foi marcado pela line up diversificada reunindo atrações de estilos e épocas diferentes no mesmo dia. Ao observar os presentes, este fato se evidenciava.

O festival foi marcado por pontos altos e baixos mas, de maneira geral, as apresentações se iniciaram pontualmente e superaram as expectativas.

Nem o sol intenso e o calor interferiu nos ânimos daqueles que assistiram aos shows do dia. Artistas como Cage The Eelephant, Julian Casablancas, Vampire Weekend e Brothers of Brazil realizaram seus shows ainda à tarde com uma plateia receptiva e animada.

Como de costume, os principais nomes do festival entraram no palco ao fim do dia.

Imagine Dragons

Vencedores do Grammy de “Melhor Performance de Rock”, o Imagine Dragons fez um dos shows mais visados do Lollapalooza. Com base no álbum “Night Visions”, a banda teve uma performance cheia de energia e marcada por hits cantados pelo público.

O vocalista, Dan Reynolds, alternava entre tocar percussão e agitar o público correndo e saltando pelo palco.

A apresentação foi prejudicada pelo som, nas partes mais altas da plateia ouvia-se com baixíssima intensidade.

O ponto mais alto foi a execução o hit “Radioactive”, ovacionado pelos fãs e cantado em coro. Visivelmente a banda dedicou-se especialmente para tocar esta que foi a última música do show.

Nine Inch Nails

Quase 9 anos após a última passagem pelo Brasil, o Nine Inch Nails encerrou as atividades do palco Onix no primeiro dia de festival.

A banda foi recebida por uma plateia efusiva e participativa que acompanhou com vivacidade cada uma das músicas, deixando a impressão de que não somente assistia ao show: fazia parte dele.

No decorrer da apresentação, notava-se uma leve dispersão de parte do público mas boa parte dele se manteve fiel até o fim. Era visível a satisfação do vocalista Trent Reznor ao ver a animação dos fãs.

De maneira geral, foi um show tecnicamente impecável. A iluminação estava em perfeita sincronia com as músicas, executadas com maestria.

Muse

As expectativas eram tensas em torno do show do Muse devido a um problema de saúde do vocalista Matt Bellamy que acarretou o cancelamento do show agendado para a quinta anterior ao Lollapalooza.

A set list apresentada divergiu bastante daquela apresentada no Rock In Rio de 2013. Alterações tiveram que ser feitas para adaptar à voz ainda debilitada de Matt. No entanto, a força que faltava ao front man foi trazida pelos fãs que acompanhavam as músicas com vigor.

Em homenagem aos 10 anos do falecimento de Kut Cobain, a banda tocou um cover de “Lithium”, sucesso do Nirvana.

O esforço de Bellamy foi aparente, com muita energia e simpatia tentou compensar as falhas vocais, como no momento em que desceu do palco e foi disputado pela plateia afoita.

O grupo se manteve unido para fazer um show de qualidade e para ir além dos empecilhos. A união foi bem sucedida.

Pixies

Os oitentistas do Pixies mostraram excelente forma numa performance de 23 músicas, entre elas sucessos como “Here Comes Your Man”, “Where is My Mind” e “Monkey Gone to Heaven” além de b-sides que animaram os fãs.

Com formação diferente da última passagem pelo Brasil (no SWU em 2010), a banda trouxe a baixista argentina Paz Lenchantin (A Perfect Circle, Zwan) que substituiu Kim Deal com muita competência.

Apesar da set list extensa, a apresentação não caiu na monotonia graças a energia de Black Francis provando porque o Pixies segue como uma das bandas mais influentes de sua época e está em perfeitas condições de se manter na ativa.

Soundgarden

Apesar de pouco enfatizado, esta foi a primeira vez que a banda grunge de Chris Cornell veio ao Brasil, atendendo a pedidos insistentes dos fãs, a qual completa exatos 30 anos de carreira este ano. O vocalista já se apresentou duas vezes no país com seu show solo, voz e violão, e prometera retornar trazendo o Soundgarden.

Com membros da formação original, exceto o baterista estreante na turnê sul-americana, o show foi repleto de clássicos “Spoonman”, “Outshined”, “Fell On Black Days”, “Black Hole Sun”e “Jesus Christ Pose”, estas que foram pontos altos da apresentação.

É perceptível que a oscilação na voz de Cornell a medida que o show avança  mas seu carisma e simpatia compensam. A plateia vibra quando o vocalista percorre o corredor central da pista e cumprimenta alguns fãs.

Com energia e disposição, a banda se despede do público que se mostra mais que satisfeito com o primeiro show da banda no Brasil.

Arcade Fire

Sem dúvida um dos shows mais esperados do festival, Arcade Fire trouxe ao festival a turnê de seu álbum mais recente, o cultuado Reflektor. A banda foi muito além das expectativas, numa performance imersiva e detalhista, repleta de componentes visuais – muito diferente do clima intimista do show intimista de 2004.

A complexidade e dinâmica eram tamanhas que a impressão era que uma história era contada ali e com as canções do casal canadense Win Butler e Régine Chassagne como trilha sonora.

Com muita delicadeza, a banda fez referencias a música brasileira citando trechos de Tom Jobim, Vinícius de Moraes (O Morro não tem Vez), Ary Barroso (Aquarela do Brasil) e Caetano Veloso. Além disso, a execução de “Afterlife” foi finalizada com “Temptation”do New Order – que se apresentava simultaneamente em outro palco.

Ficou evidente que o show do Arcade Fire foi planejado com todo cuidado antes de ser entregue ao público brasileiro.

New Order

New Order é um dos nomes mais influentes que compôs a line up do Lollapalooza, seja por seu papel na música oitententista ou por abrigar os membros remanescentes do Joy Division.

Aqueles que esperavam uma pista de dança anos 80, não se decepcionaram. O grupo tocou seus grandes hits “Bizarre Love Triangle”, “Crystal” e “Blue Monday” com a maestria adquirida nos mais de 30 anos de carreira.

A reação da plateia foi a melhor possível: animados acompanhavam Bernard Summer na cantoria ao mesmo tempo em que arriscavam alguns passos de dança, encerrando com muito entusiasmo a edição 2014 do festival.

Estrutura

A mudança de localização trouxe muita insegurança, especialmente após duas edições bem sucedidas no Jockey Club.

Como era de se esperar, o Autódromo possuía um espaço muito mais amplo que possibilitou a implantação de mais tendas “Relax” com mesas, cadeiras e pufes para descanso, além da Chef Stage com opções mais diferenciadas de alimentação. Além disso, a distância entre os palcos evitava que qualquer som “vazasse” e interferisse os shows simultâneos.

Porém, se a distância favorecia a acústica, por outro lado muitos se viram descontentes em caminhar longas distâncias de um palco para o outro. Não necessariamente a distância em si, mas o terreno repleto de desníveis e voltas não favoreceu a mobilidade, aspecto importante num festival.

A passagem por ruas estreitas não trouxe complicações, o maior problema foi o acesso à CPTM. No sábado, as pessoas amontoadas levavam cerca de 40 minutos para entrar na estação e, apesar de operarem em horário diferenciado, muitos não conseguiram utilizar o trem para retornar. Este ano foi disponibilizado o serviço de estacionamento a partir da compra antecipada do voucher, porém, a opção foi pouco divulgada.

No mais, as filas extensas para comprar bebidas/comida e banheiros são típicas de um evento deste porte e estavam bem mais rápidas e tranquilas que em 2012.

Foram poucas as áreas interativas, apenas três: a pista de patinação (patrocinada pela Skol), a loja de vinis (parceria entre a Skol e a loja Locomotiva) e o stand da Pepsi. Diferentemente do ano passado em que havia vários stands distribuindo brindes e disponibilizando atividades – como o karaokê ao vivo da Chilli Beans.

Um ponto interessante foi a pontualidade do início dos shows, em ambos os dias, não houve nenhum atraso e todas as atrações se apresentaram no tempo especificado.

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