Mayhem - Hangar 110, São Paulo - 05/12/2013

Por Leandro Cherutti

O grupo que mais gerou polêmica na cena Black Metal no início dos anos 90, o Mayhem, aportou pela terceira vez em nosso país no mês de dezembro, para uma serie de shows em terras tupiniquim. O último dia 5 foi à vez da cidade de São Paulo receber este ícone da música extrema, em um show agressivo no tradicionalíssimo Hangar 110.

A quinta feira estava quente, calor de 32 graus, mas tudo começou a mudar por volta das 18h30, com a formação de um clima mais apropriado para o que aconteceria a noite. Uma tempestade caiu sobre a cidade, e o caos em forma de transito se instalou na metrópole, mas nem isto foi capaz de impedir que uma legião de fãs chegasse até o local do show e se aglomerassem enfrente a casa de espetáculos, localizada na Rua Rodolfo Miranda, no bairro do Bom Retiro.

Pontualmente às 21h30, o silêncio tomou conta do Hangar 110, e prontamente um coro se formou no recinto, clamando pelo nome Mayhem. Pois os fãs sabiam que a qualquer momento as cortinas se abririam e la estariam eles, Attila Csihar (vocal), Necrobutcher (baixo), Hellhammer (bateria), Teloch (guitarra) e Hedger (guitarra), nada mais, nada menos que os protagonistas da noite. Muita fumaça tomou conta do ambiente neste momento e uma luz de tonalidade azul iluminou o palco. Ao mesmo tempo a belíssima introdução Silvester Anfang ecoava majestosamente pela casa, algo arrepiante e que preparou muito bem o público para a poderosa composição Pagan Fears, oriunda do excepcional disco De Mysteriis Dom Sathanas, que particularmente acho incrível. A próxima foi Buried by Time and Dust, que também pertence ao álbum citado acima. Foi um início avassalador, os fãs estavam em estado de êxtase, e não era para menos, não é sempre que podemos presenciar algo nesta magnitude.  A terceira música a compor o repertório foi à clássica Deathcrush, que fez com que se formassem no centro da pista alguns moshpit. O ótimo EP Wolf's Lair Abyss foi muito bem representado por Ancient Skin, que foi executada como as anteriores, de forma primorosa. O show seguiu até o presente momento na mesma pegada, luz azul e muita fumaça. Mas isto se alterou quando a boa composição My Death foi executada, mudando a iluminação de azul para o vermelho, passando por algumas tonalidades alaranjadas.

No palco, o sombrio Attila, conduziu o espetáculo de forma impecável. O mesmo é o único membro que usa corpse paint, criando desta forma uma performance teatral muito legal de se ver. O vocalista usou roupas rasgadas, sangue em sua boca e em sua mão direita um crânio humano, que o acompanhou em toda a apresentação. Naquela noite Attila foi o representante do inferno na terra. Ao seu lado dois velhos companheiros de tamanha grandeza, o pequenino Necrobutcher é o mais antigo entre eles no grupo, demonstrou humildade e grande carisma, sempre que pode interagiu com a platéia. Já ao fundo o lendário Hellhammer, que despensa qualquer tipo de apresentação, extremamente técnico, manteve a apresentação do Mayhem de forma coesa. Ainda restaram à dupla de guitarristas Teloch e Hedger, que perto desses três nomes já citados, são meros coadjuvantes nesta peça. Fizeram muito bem o seu papel dentro do show, tocando de forma insana seus instrumentos. Um ponto curioso nesta apresentação foi Hedger, que tocou o tempo todo usando uma blusa de moletom com capuz, e olha que o clima dentro do Hangar 110 não estava nada frio.

O show seguiu de forma avassaladora com A Time to Die, atingindo neste momento a sua metade. Na seqüência tivemos a lenta Illuminate Eleminate, que trouxe um pouco de calmaria ao entusiasmado público. Era hora de retomar as energias, e se preparar para a parte final, que se iniciou com a poderosa Symbols of Bloodswords, seguida de perto pela extraordinária Freezin Moon. Ouvir, ver e sentir o clima desta música ao vivo e sempre muito gratificante, algo indescritível. O público queria mais, e satisfazendo a vontade dos fãs, o grupo tocou o hino Carnage. O Mayhem finalizou sua apresentação da melhor forma possível, executando a majestosa Pure Fucking Armageddon. Era o fim, as luzes se acenderam e a banda se despediu agradecendo a presença de todos que compareceram nesta grande confraternização.

Em sua terceira passagem pelo Brasil, o Mayhem não decepcionou, mais uma vez desempenhou um excelente trabalho, mostrando que é uma autoridade no quesito música extrema. É evidente que os fãs queriam mais, pois um repertório com 1 hora de duração acabou que abortando alguns clássicos, mas nada que atrapalhasse. Foi uma apresentação impecável. Os mais saudosistas podem até criticar o show, dizendo que se os finados Øystein Aarseth e Per Yngve Ohlin, conseqüentemente Euronymous e Dead estivessem vivos, seria melhor. Pode até ser, mas é algo que não saberemos. O que posso garantir é: Foi à melhor apresentação do Mayhem que presenciei em São Paulo. Antes desta, pude conferir outras duas. Se você ainda não os viu, se esforce um pouco e tente prestigiá-los se uma nova oportunidade aparecer.

SetList – Mayhem

Silvester Anfang
Pagan Fears
Deathcrush
Ancient Skin
My Death
A Time to Die
Illuminate Eleminate
Symbols of Bloodswords
Freezin Moon
Carnage
Pure Fucking Armageddon

Agradecimentos ao Costábile Salzano Jr. da The Ultimate Music pela atenção e credenciamento.

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