04/08/2013 - EXTREME HATE FESTIVAL - CARIOCA CLUB, SÃO PAULO/SP

Por Laís Tomaz

Pela terceira vez São Paulo foi palco do Extreme Hate Festival, algumas horas antes do primeiro show ter início, a frente do Carioca Club já estava lotada de seguidores do metal extremo e posso garantir, com a presença de fãs vindos de vários estados. Também estavam lá o pessoal da banda Cauterization e alguns membros da aclamada Krisium!

Mas vamos ao que interessa! Pontualmente os cariocas da Unearthly deram inicio ao que viria a ser um ótimo festival. Apesar de ter sido um set curto, a banda deu voz ao metal nacional naquela noite, a porrada começou com 7.62, com destaques para a mistura regional de Black Sun, Age of Chaos, Children of the Grave e Insurgency. Apesar da casa ainda não estar tão cheia como viria a ficar, os presentes se mostraram muito satisfeitos com o show da banda.

Sem muita demora foi a vez dos caras do Sinister abalarem as estruturas do Carioca Club. Pela segunda vez no festival, a banda trouxe o que nos prometeram, Death Metal de primeira qualidade. Uma introdução tenebrosa deu lugar a Sadistic Intent, a banda não foi muito comunicativa, mas não é pra isso que estavam lá, seguiram o show impecável também com Transylvania do último álbum da banda, The Grey Massacre que foi dedicada a um fã e também Afterburner.

Repetindo a boa atuação da Dark Dimensions que produz o festival, pouco tempo depois já era hora do Vader! Apesar de não ser uma banda tão rara em solo brasileiro, a empolgação do público não era menor por isso. Os poloneses deram um show recheado de hinos e mosh pits, a primeira foi Vicious Circle, seguida da magnifica Wings. Piotr, assim como Spider e Hal interagiram muito com o publico que não parou de entoar o nome da banda. Além dessas também ouvimos Return to the Morbid Reich, a enérgica Hallelujah (God Is Dead), Carnal e Come and See My Sacrifice .

Por Leandro Cherutti

O Suffocation compareceu ao palco pontualmente às 19h50, trazendo consigo a primeira pedrada da noite Thorne of Blood, um petardo do disco Pierced from Within de 1995. Neste momento o público tomou conhecimento que o grupo não estava para brincadeira e isto se comprovou quando tocaram a novíssima As Grace Descends do recém lançado Pinnacle of Bedlam. Na seqüência tivemos Catatonia, um hino incluso no EP Human Waste de 1991 e ainda Funeral Inception. Totalmente entregue as garras do Suffocation, os fãs clamavam por mais e foram prontamente atendidos pelos músicos, que executaram a vigorosa Rapture of Revocation. Na ativa desde 1990, o Suffocation veio formado da seguinte forma: Frank Mullen (vocal), Terrance Hobbs (guitarra), Derek Boyer (baixo), Guy Marchais (guitarra) e Dave Culross (bateria).

Frank, com o microfone em mãos é totalmente insano, além de executar um gutural com perfeição, o vocalista parece estar contaminado pela energia contida em cada uma das músicas, pois quando não esta cantando, o mesmo esta realizando caretas ou acompanhando o ritmo da bateria com as mãos, como se fosse um tipo de marcação. Terrance Hobbs ao lado de Guy Marchais, sem duvida formam uma das melhores duplas do Death Metal na atualidade. O dono do baixo, Derek Boyer, além de ser um talentoso músico, também chama a atenção pela forma única de tocar seu instrumento, o colocando entre as pernas e realizando movimentos com o corpo, sua performance se torna  algo interessante de se ver. Após a saída do baterista Mike Smith no ano de 2012, Dave Culross retornou ao grupo, assumindo assim o seu antigo posto. O músico exerceu esta função no período compreendido entre 1997 e 1998. Um momento curioso na apresentação de Dave, se deu quando uma de suas baquetas saiu literalmente voando de sua mão direita, mas não atrapalhou seu desempenho, Dave manteve a calma e conseguiu outra rapidamente, a experiência nestas horas ajuda muito. Mas vamos ao o show, que seguiu de forma empolgante e não era para menos, o Suffocation trouxe a terra da garoa um repertório matador, contendo alguns clássicos como: Liege of Inveracity, Pierced from Within e Abomination Reborn. Quanto mais o show se aproximava de seu final, melhor ficou, mas infelizmente o relógio andou rápido e o fim era iminente, sendo assim os músicos finalizaram de forma primorosa com Cataclysmic Purification e Infecting the Crypts.

O Suffocation passou como um rolo compressor, não deixou pedra sobre pedra, realizou uma apresentação soberba, digna de elogios.

O Carioca Club esteve totalmente tomado pelo público, ir ao banheiro era sinal de fila, comprar ou retirar algum produto no bar era desanimador, um mar de pessoas se aglomerou enfrente ao balcão, na intenção de retirar algum produto, mas o numero de atendentes não era muito animador, apenas dois, com sorte aparecia um terceiro para realizar o serviço, um verdadeiro caos. Para se ter uma pequena idéia, em determinado momento passou a ser entregue cerveja quente, até porque os freezers não suportavam tamanha demanda, mas a direção da casa atuou bem, e logo conseguiu restabelecer o estoque de cerveja gelada no recinto.

A última atração da noite subiu ao palco exatamente às 21h30 e foram os suecos do Marduk. O grupo usou e abusou da iluminação, criando um clima sombrio e ao mesmo tempo bonito de se ver, formando desta forma uma combinação áudio visual mais que perfeita. A primeira música a ser tocada foi Serpent Sermon, que veio acompanhada da empolgante Nowhere No-One NothingNo-One do penúltimo disco Wormwood de 2009. Esta é a quinta visita do grupo a cidade de São Paulo, e tive o prazer de presenciar três delas, e confesso que as anteriores foram melhores em relação ao repertório, mas tenho que relevar, até porque este show contou com outras quatro apresentações e o tempo ficou curto. Os suecos seguiram tocando Temple of Decay que antecedeu o primeiro clássico da noite, Christraping Black Metal, faixa encontrada no CD Panzer Division Marduk, considerado por mim ao lado de World Funeral um dos melhores de toda discografia. E é do disco World Funeral a próxima, a indispensável With Satan and Victorious Weapons que conseguiu levantar ainda mais o público. Os músicos mostraram um entrosamento impecável e não é para menos, estão juntos desde 2006. Já que citei os integrantes irei falar um pouco sobre eles e iniciarei pelo líder e fundador Morgan Steinmeyer Håkansson, que esta em pela forma técnica e com uma desenvoltura muito boa, conseguindo em determinados momentos ser a atração principal do espetáculo. Devo, é o baixista, ele já é mais recatado, ficou praticamente todo o show postado no lado esquerdo do palco, tocando seu instrumento com perfeição. Ao fundo o ótimo baterista Lars Broddesson, exerceu sua função de forma eximia, não deixando o grupo se perder no tempo. E por ultimo Mortuus, que possui uma excelente desenvoltura nos vocais, conseguindo desta maneira transmitir todo o sentimento expresso em cada uma das composições. O Marduk mostrou nesta noite que os anos se passaram, formações vieram e se foram, mas algo sempre ficou e foi à velha essência do Black Metal. Celebrando a isto tivemos Azrael, a cadenciada Womb of Perishableness, a Imprescindível Materialized In Stone e deixaram o palco depois de tocarem Wolves.

Ao voltar ao palco para o tradicional bis, Mortuus perguntou a todos se gostariam de ouvir mais uma, a resposta foi mais do que óbvia, não só uma, como outras tantas se possível, mas infelizmente só ficou mesmo na curta, porém clássica Baptism by Fire. O Marduk encerrou magnificamente bem o evento, fechando os portões do inferno com chave de ouro.

Destacamos a boa atuação da produtora Dark Dimensions que nos apresentaram um festival bem organizado, sem demora entre as bandas e com ótimas bandas.

Fotos por Leandro Cherutti

Pesquisa

Redes Sociais

Newsletter