Urânio Rock Metal Festival - Opinião, Porto Alegre - 17/03/2013

por Carol Flores

Porto Alegre recebeu, no último dia 17, o primeiro Urânio Metal Rock Festival, bela iniciativa da Urânio Produtora voltada ao já conhecido público headbanger gaúcho. As bandas escolhidas mostraram-se a altura do desafio: Tierramystica, Rotting Christ e Turisas, além da apresentação de abertura da Frost Despair, foram as responsáveis por mais de 4 horas de peso.

A Frost Despair, prejudicada por mal ter tempo de fazer o soundcheck, realizou um rápido show que contou com o respeito dos presentes, mas não com muita empolgação dos mesmos. Talvez outro motivo da aparente apatia do público em relação à apresentação da banda porto-alegrense tenha sido seu estilo voltado para o Black Metal dito Sinfônico que, acredito, não encontra muitos fãs entre os apreciadores de folk que lá estavam em maioria para ver a apresentação mais esperada da noite. Mesmo com estes empecilhos, a Frost Despair cumpriu sua tarefa não podendo ser responsabilizada por problemas alheios a sua vontade. O cover “Her Ghost In The Fog” da banda Cradle Of Filth, uma das influências do grupo, finalizou sua breve participação tirando aplausos respeitosos do público.

Após apenas 15 minutos, numa das trocas de palco mais rápidas que esta que vos fala já presenciou, os gregos da Rotting Christ sobem ao palco do Opinião já arrancando gritos e aplausos ensurdecedores de seus fãs.  Retornando à capital gaúcha pela segunda vez, Sakis Tolis (vocal e guitarra), Themis Tolis (bateria), George Emmanuel (guitarra) e  Vaggelis Karzis (baixo) realizaram um show curto mas, pela reação dos presentes, totalmente satisfatório. O setlist escolhido foi bem variado, passeando por vários trabalhos dos mais de 20 anos de carreira tais como o EP de 1991 “Passage to Arcturo” (com “The Forest of N'Gai”), o primeiro álbum de estúdio do grupo “Thy Mighty Contract” (com “The Sign of Evil Existence” e “Transform All Suffering Into Plagues”) e “Theogonia” (com “Nemecic”), além de outros. Vale também destacar a presença de palco deste quarteto que não poupa energia um minuto sequer.  Finalizando com “Noctis Era”, o Rotting Christ deixa o palco do Opinião após um pouco mais de uma hora do mais pesado som da noite, com alguns dos presentes também deixando o local.

Enquanto alguns fãs da Rotting Christ iam embora, outros bangers chegavam para conferir as duas últimas apresentações. Após mais uma breve troca de palco, aproximadamente às 22h, era a vez de mais um representante do metal gaúcho: Tierramystica, que dispensa apresentações. A noite veio cheia de novidades tanto para o grupo como para seus fãs como a apresentação do novo baterista Rafael Dachary além de terem tocado duas músicas do próximo álbum, “Vision of the Condor” e “Myths of Creation”, uma pequena demonstração do trabalho de qualidade que está para ser lançado. A resposta do público não deixou nada a desejar em comparação ao show anterior, com várias vozes acompanhando Gui Antonioli especialmente nas ótimas “Winds Of Hope” e “New Eldorado”. Vale também citar a excelente estrutura montada no palco que, além de visualmente ser um show à parte, comporta bem os oito músicos, seus inúmeros instrumentos e sua notável interação tanto entre eles mesmos quanto com o público. “Spiritual Song” finalizou o show destes gaúchos que representam o que de melhor vem sendo produzido por aqui recentemente.

Diversos fãs esperavam desde ao meio-dia na fila já caracterizados como seus ídolos: o Turisas não seguiu o exemplo das bandas anteriores, e suas rápidas trocas de palco, demorando cerca de uma hora para finalmente iniciar sua apresentação. Era a primeira vez dos finlandeses na capital e a espera valeu a pena quando Mathias Nygård (vocal), Jussi Wickström (guitarra), Olli Vänskä (violino), Robert Engstrand (teclado), Jaakko Jakku (bateria) e Jesper Anastasiadis (baixo) abriram seu show com a excelente “The March of the Varangian Guard” do álbum “Stand Up and Fight” (2011). Os outros trabalhos da banda também marcaram presença, valendo destacar “In the Court of Jarisleif” e “To Holmgard and Beyond” (The Varangian Way/2007) além de “One More” e “Battle Metal” que nomeia o álbum debut de 2004 do grupo. O folk por si só é um estilo contagiante mas a interpretação dada às composições pelos membros do Turisas o torna ainda mais agradável. Mathias e Olli tem uma interação absurda quando no palco, principalmente o último que consegue tocar um instrumento tão delicado como o violino mal parando quieto ao mesmo tempo. Jaakko e Robert, respectivamente baterista e tecladista, que supostamente estariam “presos” aos seus instrumentos, mostram-se os mais empolgados. Os fãs também ganharam muita atenção do grupo, principalmente do vocalista Mathias que ressaltou que, sendo a primeira vez do Turisas no Brasil e na cidade e o último show da turnê na América Latina, a noite seria especial. E realmente foi: ao se despedir dos gaúchos com o aclamado cover “Rasputin”, o Turisas deixou o público ansioso por um breve retorno.

Por último, devemos dar os parabéns para a Urânio Produtora: investir num festival com representantes de diferentes estilos pode gerar (e gerou) críticas de descrentes numa inciativa que Porto Alegre estava necessitando. O sucesso do evento com certeza calou a boca de muitos que agora esperam por uma segunda edição tão boa como a primeira.

 

Agradecimentos a Lorenza Bueno e toda equipe da Urânio Produtora.

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