Black Label Society - Bar Opinião, Porto Alegre - 14/08/2011

por Carol Flores

Chuva e mais um show de metal num domingo à noite no já conhecido Bar Opinião. Típica noite na capital gaúcha. Ledo engano. Os shows do último domingo não entram na classificação de “típicos”, pelo contrário: do público presente, passando pelo ótimo show de abertura e a aguardada atração principal, tudo indicava que a noite seria diferente. E realmente foi.  Zakk Wylde é um nome que dispensa apresentações no meio metal. Um dos melhores guitarristas da atualidade esteve finalmente de volta ao Brasil com o Black Label Society. A espera pelo show, que era para ter acontecido meses antes, foi recompensada por completo.

Ao entrar no Bar Opinião, um pouco antes do início do show de abertura da banda Draco, notei que o público estaria presente em grande número. Diversos eram os fãs, dos mais velhos  aos mais jovens e até mesmo pais que optaram por comemorar seu dia com seus filhos num show de metal.

Entrando no palco pontualmente às 21 horas, a banda Draco se deparou com algo em torno de 1500 fãs na expectativa pelo show de logo mais. Dani Wilk (guitarra/vocais) Leo Jamess (vocais/guitarra), Vinicius Rymsza (Bateria) e Beto Pompeo (Baixo) não se intimidaram e realizaram um show a altura da noite. Destaque para a reação mais do que positiva do público, sendo que muitos já conheciam o trabalho de mais de 8 anos da Draco. “O Inferno é Aqui”, “Nunca Vou Desistir” e “Louco da Estrada” foram algumas das escolhidas para o setlist. Nunca havia visto um show de abertura ser tão bom e combinar tanto com o show principal, sem ao menos ser parecido, a ponto de não parecer um show de abertura. Mérito para essa excelente banda que soube manter a atenção de todos e cumpriu seu papel de aquecer o pessoal para o show do Black Label Society.

Às 22 horas em ponto o público do Opinião rompeu em aplausos e gritos após Mike Froedge (bateria), John DeServio (baixo), Nick Catanese (guitarra) e o ovacionado Zakk Wylde (vocal/guitarra) entrarem no palco.  “Crazy Horse”, do mais recente álbum “Order to Black” (2011), foi a primeira de um setlist que não mostrou nenhuma novidade em relação aos outros shows desta turnê na América do Sul. Em seguida foi a vez de “Funeral Bell”, a primeira música do álbum “The Blessed Hellride” a ser executada. O público reconhece os primeiros acordes da ótima “Bleed For Me” e acompanha Zakk cantando. O vocalista não interage tanto com o público, preferindo tocar uma música atrás da outra só parando rapidamente entre elas para tomar um pouco de cerveja.

Os responsáveis pelo contato com o público foram os outros três integrantes, principalmente o guitarrista Nick Catanese e o baixista John DeServio que não parava no palco um minuto sequer, fazendo muitos gestos para os fãs na grade e demonstrando um carisma enorme. Carisma este que não falta em Zakk, mesmo com seu jeito fechado e de poucas palavras. O show seguiu com mais um clássico, “Demise of Sanity” do álbum “1919 Eternal”. Logo após mais duas do “Order To Black”, “Overlord” e “Parade Of The Dead”, manteram os fãs extasiados.

Voltando mais de dez anos no tempo, representando seu álbum de estréia “Sonic Brew” (1999), era a vez de “Born To Lose”. Uma música que claramente se destaca entre as outras devido a sua pegada southern rock, estilo que ainda hoje influencia as composições de Zakk, mas que praticamente define o “Sonic Brew”.

O único momento calmo da noite foi precedido por um solo de teclado de Zakk, que logo emendou a ótima “Darkest Days” ainda no teclado. Foi também a única vez que o guitarrista falou com os presentes que, mesmo não conseguindo compreender muito bem o que ele falava, respondiam aos gritos.

“Fire It Up” e “Godspeed Hellbound” retomam o clima pesado com Zakk retornando para a guitarra. Como se ver um dos melhores guitarristas em matéria de técnica realizar um solo com quase dez minutos já não fosse o bastante, o público ainda teve oportunidade de ver ambos os guitarristas, Zakk e Nick, com suas guitarras de 12 cordas tocando “The Blessed Hellride” e “Suicide Messiah”. Nesta última os fãs gaúchos do Black Label Society se superaram, cantando em coro, em alto e bom som e fazendo o Opinião vibrar com um dos pontos altos da noite.

A única representante do álbum “Shot To Hell” (2006) veio em seguida, “Concrete Jungle”. Ainda ouviam-se os aplausos quando Zakk pergunta para o público “Are you ready, Porto Alegre?” e o hino máximo da banda se inicia: “Stillborn”, que conta com a participação do príncipe das trevas Ozzy Osbourne nos vocais.  Foi com certeza outro ponto alto da noite e novamente o Bar Opinião veio abaixo. Após uma breve despedida, com direito a bandeira do Brasil com o símbolo da banda e Zakk dando mais demonstrações de sua grandeza, a banda se retira do palco e deixa os fãs ansiosos por um bis que infelizmente não aconteceu.

O Black Label Society realizou um show que serve de exemplo para os demais da capital gaúcha: tanto a banda como a organização, rapidez e pontualidade da equipe envolvida devem ser destacadas. Não restam dúvidas de que podemos esperar o retorno de Zakk Wylde e Cia a Porto Alegre. Mas esse mérito vai para os fãs que tornaram esta noite perfeita.

Setlist

01 - New Religion
02 - Crazy Horse
03 - Funeral Bell
04 - Bleed for Me
05 - Demise of Sanity
06 - Overlord
07 - Parade of the Dead
08 - Born to Lose
09 - Darkest Days
10 - Fire It Up
11 - Godspeed Hellbound
12 - The Blessed Hellride
13 - Suicide Messiah
14 - Concrete Jungle
15 - Stillborn

Agradecimentos a toda equipe da Abstratti Produtora

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